Capítulo Seis.

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Keith Tomlinson não tinha um sono regrado. Depois de anos trabalhando noturnamente, ele tinha um relógio desregulado às vezes, que nem a velhice conseguiu consertar.

Mas quando escutou Louis chegar e uma voz masculina mais grossa e rouca do que a do neto, Keith pôs-se de pé.

Ele sempre se acostumou com Louis levar rapazes para casa. Em Doncaster, ele já havia acordado com um rapaz forte e musculoso de cueca boxer na sala, bebendo do leite e sorrindo para o senhor, enquanto Louis fazia café da manhã para eles. Keith se divertia com os relacionamentos rápidos, que não duravam mais do que uma transa.

Quando jovem, Keith nada disso teve... O único relacionamento que teve foi permanente. Tão permanente que foi o primeiro...

... E o último que ele amou.

Ele bateu a bengala no degrau da escada e decidiu a descer-se. Ouviu ruídos estranhos, e olhou para a porta da frente, onde jazia dois pares de sapatos: Um par de botas brilhantes e um tênis simples.

Quando desceu, encontrou Louis sem camisa e com cara de sono. Segurando um copo, o neto sorriu.

— Ah, oi... — Ele parecia nervoso — O senhor não deveria estar aqui, sabia?

— A casa é minha, eu posso andar onde bem queira — Ele deu a volta no balcão — O que está aprontando?

— Eu... — Louis olhou para o canto da sala, onde Harry segurava as duas caixas e ia na ponta dos pés para fora, tentando alcançar a maçaneta — Eu estava pensando... Sobre os anos 50.

O velho parou e se virou. Por pouco, não viu Harry que escondeu atrás do cabideiro grande, sendo auxiliado pelos casacos pendurados.

— O que deseja saber da década de 50? E por que está pensando nisso às duas da manhã?

— Na verdade, são uma e quarenta da manhã. E segundo... É porque... Porque...  Eu estava escutando Edith Piaf.

— Sei — Keith se virou novamente. Harry falou sem voz “Para onde?” e Louis tossiu, fazendo com que seu avô olhasse para ele, arruinando a tentativa de falar “Para cima” em sinal oculto para Harry.

— Eu acho que gripei — Louis tentou disfarçar — Vô, você já olhou o quintal?

O velho se virou para a porta de trás, fazendo Harry sair de seu campo de visão. Louis apontou para cima, fazendo com o dedo, o sinal de “dois”, indicando o segundo quarto como o dele e então, sorrateiramente, Harry subiu as escadas, seus passos sendo abafados pelo tapete macio dos degraus. Louis se virou para o avô, quando viu que da caixa de Harry, caiu umas fotografias.

Maldito desastrado.

Louis correu ao tempo de pegar as fotos, mas foi falho. Quando Keith se virou, rabugento.

— Não me faça de idiota — O velho reclamou — Que merda me fez olhar para o jardim dos fundos? E por que está agindo estranho assim?

— Eu não estou estranho.

— Por que tem dois pares de sapatos na porta?

— Esses dois são meus — Louis justificou-se. Keith fechou a cara.

— Você não usa esse tipo de sapato.

— Eu posso começar a usar, não?

— Louis, o que você está escondendo?

Discretamente, Louis enfiou as fotos dentro da calça, atrás. 

— Nada — Ele bocejou — A gente poderia dormir não é? Estamos tendo dias cheios.

Alabama Song ➳ Larry versionOnde histórias criam vida. Descubra agora