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Retomo a consciência lentamente. Abro os olhos e sinto minha cabeça doer como o inferno.

Levanto lentamente e passo as pernas para a beirada da cama. Olho ao redor, embora não tenha muito o que ver, apenas as paredes acinzentadas e a cama em que eu estava... Nada que possa me ajudar a sair.

Ainda estou usando a mesma roupa que antes. Eu sinto como se este vestido fosse um controle que meu pai exerce em mim. Ainda estou vestida para ser uma marionete, um rosto do Restabelecimento.

Saio da cama, com o intuito de checar as duas portas que estavam no quarto. Talvez eu conseguisse mexer na fechadura e destrancar...

– Bom dia, raio de sol. – pisco diante do aparecimento repetindo de Kishimoto. Ele está encostado na parede oposta à cama. – Espero que tenha dormido bem.

Ele abre um sorriso torto, parecendo genuinamente preocupado com o meu bem estar.

Kishimoto me trouxe para esse lugar, logo depois de me fazer desmaiar... E ele ainda tem a coragem de aparecer na minha frente com um sorriso?

Um ímpeto de raiva toma conta de mim. Atravesso o cômodo e atinjo Kishimoto com o mesmo movimento que repeti tantas vezes nas últimas semanas no meu saco de pancadas.

– Ok. – ele geme de dor enquanto leva as mãos ao nariz. – Ok, eu mereci isso.

– Nunca mais faça algo assim novamente, não toque mais em mim. Da próxima vez, não vou parar em um simples soco.

– Você estava falando sério quando disse que bate em um cara por semana. – ele afasta uma mão do nariz e consigo ver uma mancha de sangue em sua palma. Não sinto remorso, não depois de ele ter acertado minha cabeça. – Sinto muito. Muito mesmo.

Embora consiga sentir que suas desculpas são sinceras, não baixo minha guarda. Eu achei que ele era uma boa pessoa, que seria meu amigo. E, quando confiei em Kishimoto, ele me sequestrou.

– Onde o meu irmão está? – cruzo os braços na altura peito e levanto uma sobrancelha. Aaron estava desmaiado da última vez que eu o vi, e se ele estivesse aqui... preciso saber como ele está.

– Castle vai explicar tudo. – ele indica a porta para mim. Kishimoto nota que não vou relaxar até saber que Aaron está bem, então abre a porta e diz para eu passar primeiro. – Vamos.

Quando saio, encontro dois homens, dois guardas, um de cada lado da porta. Eu sou uma prisioneira e não posso esquecer disso. Estremeço ao pensar que tinha saído de uma jaula e entrado diretamente em outra.

Kishimoto me guia pelos corredores enquanto fala sem parar. Não presto atenção em uma palavra, mantendo toda minha concentração toda nós túneis, tentando decorar o caminho, lembrar dos corredores, portas... olho para o teto esperando ver alguma câmera de segurança, mas não encontro nada. Como eles vigiam a base deles sem câmeras?

Algumas pessoas pelas quais passamos no caminho me olham com curiosidade, receio e até mesmo medo. Elas sabem quem eu sou.

Paramos de andar quando chegamos em frente a uma porta solitária. Não há mais nada no corredor, apenas esta maçaneta. É como se todas as direções e corredores levassem diretamente para lá. Onde o líder deles está.

Enrijeço a postura e coloco minha máscara no lugar. Se eu tenho que lidar com o líder dos rebeldes para ter minha liberdade e Aaron de volta, eu preciso parecer forte.

– Relaxa, Arwen. – Kishimoto bate na porta em uma sequência. Dois, três, um. Guardo esse padrão de batidas sabendo que pode ser últil no futuro. – O Castle é de boa, ele só quer falar com você.

𝑆𝑎𝑣𝑒 𝑀𝑒 || 𝐾𝑒𝑛𝑗𝑖 𝐾𝑖𝑠ℎ𝑖𝑚𝑜𝑡𝑜Where stories live. Discover now