Quando saímos do bar, Jorge até que tentou segurar em minha mão. Como se fosse preciso mostrar a alguém, que sim, eu estava na companhia dele.
Mas tal comprometimento não se fez, quando ele resolveu que eu não merecia a digna presença dele durante o dia.
A aparição dele inesperada, por um momento até me causou borboletas no estômago. Mas agora, tudo se transformou em incomodidades.
- Você está irritada?
Ele não sabe, que isso não é pergunta que se faça quando alguém parece está irritada? Ouvir essa pergunta, só faz a irritação crescer mais. Como agora, com a minha.
É melhor não o responder, porque eu deixaria a minha resposta ser afetada por a minha irritação. E não sei se o que eu possa vim a dizer, terá volta atrás depois.
Me centro nos letreiros iluminados dos bares em nossa volta, enquanto caminhamos até onde Jorge tenha estacionado o carro dele. A mão dele na parte de baixo de minhas costas, até agora, é o único contato físico que temos. Percebo que enquanto caminhamos e desviamos das pessoas na avenida movimentada, ele volta e meia, lança algum olhar ameaçador para qualquer um que se atreva a olhar para mim - o mesmo olhar que ele tinha usado com Alonso a pouco.
Dou um passo em falso por conta do salto - é o que eu responderia a alguém, se me perguntassem o porquê da minha quase queda, omitiria o fato de ter consumido álcool- e só não caio ao chão, por conta da rapidez de Jorge em me segurar. Ele tem suas duas em mãos em volta da minha cintura, apertando-as contra meu corpo.
- Obrigada. - agradeço gentilmente, embora ainda esteja com uma certa irritação com ele.
Me recomponho do susto, e quando tento voltar a caminhar, uma das mãos de Jorge, que já não estão me segurando pela cintura, segura o meu braço. Impedindo-me de prosseguir andando. Paro e olho da mão dele em meu braço, para o rosto dele.
Encontro o olhar dele, e mais uma vez nessa noite, ficamos presos um ao outro através de nossos olhares. Lentamente Jorge se aproxima de mim, quebrando a pouca distância entre nós.
E como uma hipnose, fico parada a sua espera.
Sua mão, abandona meu braço e segue caminho novamente até a minha cintura, enquanto a outra que ele tinha livre. Se ocupa em segura abaixo de meu rosto, bem ao meu quejo. Como se tivéssemos sobre algum efeito de câmera lenta, nossos movimentos são precisamente lentos e cuidadosos. Aceito a idéia de ser beijada por ele em meio a rua com grande fluxo de pessoas indo e vindo, sendo contraditória com meu estado de irritação com ele.
Os lábios macios dele, toca os meus. Fazendo-me fechar os olhos ao instante, deixando-me deixar sentir a sensações que tal intimidade me provoca. O contanto de seus lábios, massageando com carinho meus lábios, e com uma delicadeza, Jorge aos poucos vai aprofundando nosso beijo. Passo meus braços em volta dos ombros largos de Jorge. O trazendo mais para mim.
A cada segundo que se passa e continuamos a nos beijar, esqueço mais um pouco todos os conflitos que nos rondam, sei que o melhor é interromper o beijo, mas não consigo. Cada sensação agradável que esse beijo me presenteia, é mais forte que qualquer raciocínio lógico.
Alguém esbarra na gente, fazendo o nosso beijo ser interrompido. O esbarro foi em Jorge, que por conta do impacto, cambaleou comigo colada a ele.
Nervoso ele olha em nossa volta a procura da pessoa que nos interrompeu, e tanto ele, como eu. Encontramos um trio de amigos bêbados, nos pedindo desculpas.
- Tudo bem - me antecipo em responder, porque se depender da expressão de poucos amigos de Jorge, isso não em nada acabará bem. Não é nem preciso fazer as contas, para saber que três contra um, é impossível de quem está só, sair vitorioso. Agora quem ganha um olhar ameaçador, é Jorge. Mas não dos outros bêbados, e sim meu. - Vamos - caminho, esperando ser seguida por ele. E aos poucos passos que dou, sinto novamente sua mão em mim. Me guiando até o destino de seu carro.
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consequence
RomanceSeja ciente que para cada escolha, tenha uma consequência. • com navarrosalinas •
