Ah, o primeiro dia não foi tão ruim quanto eu esperava que fosse. Depois de ter servido o jantar, fui dispensado cedo, me confinei no meu quarto enquanto o mesmo ficou na sala esperando Haechan voltar. Era esperado que alguém da idade dele --- os 13 anos --- demorasse um pouco mais para aparecer em casa. Hyunwoo me garantiu que seu colega morava a apenas duas ruas depois, então não ficavam tão preocupados. Dentro do meu quarto, desperdicei a insônia vendo vídeos no Youtube e relaxando o corpo até ser derrotado pelo cansaço.
Eu tinha que acordar relativamente mais cedo pra fazer o café de ambos. Era moleza já que eu naturalmente levantava cedo pra preparar a comida pra minha mãe levar a fábrica, não foi nenhum sacrifício. Era mais esquisito presenciar Changkyun em seu look caseiro, os músculos a mostra pela camiseta regata, o dorso encorpado e nos pés pantufas de cor vinho destruindo a harmonia de cores do traje superior. Esfregou os olhos e sentou na mesa mais uma vez, com o rosto aparentando cansaço.
ㅡ Bom dia, Kisum. ㅡ Falou, me fazendo ir rápido até ele com o bule de café. Despejei logo o conteúdo em sua xícara, antes que pudesse haver um sermão.
ㅡ Kihyun... Se estiver muito difícil de lembrar meu nome, pode me chamar só de Kiki. ㅡ Disse com um sorriso bobo no rosto, sem pretensão alguma. Ele olhou diretamente para mim outra vez.
ㅡ Kiki. Mas assim não soa uma relação profissional. ㅡ Engoli a seco. ㅡ Afinal, não precisamos ser amigos, só preciso que me ajude com as tarefas domésticas e eu lhe pago o que lhe devo. ㅡ Engoli a seco outra vez, eu tinha dito isso antes, mas ouvir sair da boca dele foi diferente.
ㅡ Sim, senhor. ㅡ Terminei de serví-lo, mesmo que com um desgosto enorme. Há certas coisas que se pode fazer sozinho, que desperdício de dinheiro pagar outro alguém pra isso... ㅡ Haechan não come na mesa? ㅡ Questionei olhando as escadas, estranhando os costumes daquela família. Soltou uma interjeição de saboreio, depois de ter engolido meu café da manhã excepcional.
ㅡ Pra falar a verdade, essa é a segunda vez que estou sentando nessa mesa sem Bora. ㅡ Colocou os dois cotovelos na mesa, se deliciando de um pão assado. Levantei as sobrancelhas um pouco surpreso.
ㅡ E quando foi a primeira? ㅡ Perguntei por mera curiosidade e inocência, pois quando os dois saiam, eu ficava sem ninguém pra conversar.
ㅡ Ontem. ㅡ Fiquei impressionado outra vez, minhas bochechas estavam vermelhas. ㅡ Sequer sabia que tinha porcelana tão bonita. ㅡ Ficou manejando o objeto entre os dedos.
ㅡ Me desculpa... Pela foto... Foi um acidente. ㅡ Tomei vergonha na cara de admitir. O que recebi foi um sorriso ladino e um tanto quanto irônico. Ele relaxou as costas na cadeira e cruzou os braços.
ㅡ Tudo bem. Eu vi pela CCTV. ㅡ Olhei para os cantos específicos da cozinha, haviam câmeras bem visíveis me guiando como se fosse minha própria sombra.
ㅡ Espera um pouco, você tem câmeras... Pra me vigiar?! ㅡ Bufei colocando as palmas na mesa, o fazendo rir com a mão enfrente a boca.
ㅡ Sim. Quero dizer, não vigiar você, mas meus cães. Tenho que saber o que estão aprontando. Então qualquer movimento suspeito eu vejo pelo meu pc. ㅡ Levantou uma sobrancelha sugestivo e me abandonou com a louça que sujou. ㅡ Apenas deixe o café de Haechan no quarto dele. Essa hora ele deve estar dormindo.
ㅡ Sim, senhor. ㅡ Reverenciei ao empresário e ele sumiu da minha vista sem dizer mais nada. Preparei um misto quente no capricho para o tal pré-adolescente e entrei em seu quarto esperado ser blindado a mal humor de manhã cedo. Me peguei observando os grafites legais que tinha na parede, era um quarto até que arrumado --- talvez o cômodo mais arrumado da casa. Me aproximei mais do garoto que ainda dormia sereno, sentei na cama devagar e passei a mão em suas costas de forma suave, era como minha mãe me tirava da cama. ㅡ Haechan? Haechan, acorda. Vai se atrasar pra escola.
ㅡ O quê? ㅡ Ele reclamou sonolento, seus cabelos se bagunçaram com o movimento. Sorrio em sua direção pra não parecer meio rígido. ㅡ Que horas são, Kiwi?
ㅡ Kiwi... ㅡ Okay, previsei respirar fundo essa vez. ㅡ Seu pai me pediu pra acordar você. Já vão dar 8:00 da manhã. Levante e se arrume, já preparei seu café e Hyunwoo está esperando no carro lá fora. ㅡ Me levantei e mostrei o prato no porta-objetos. Ele apenas esfregou os olhos, virou pro outro lado e voltou a dormir, até soltando uma interjeição incompreensível, mas entendi como um 'fala sério'. ㅡ Haechan. Está tudo bem você perder aula assim?
ㅡ Eu não vou pra escola, Kiwi. E não gosto de queijo. Agora sai do meu quarto e não me enche o saco. ㅡ Meu orgulho foi ferido, tal pai tal filho. Engoli a seco, peguei o prato outra vez e simplesmente o abandonei, não tinha moral alguma pra lidar com ele e no fundo isso era frustrante. Não gostava de desperdiçar comida, então comi o misto quente, a caminho do meu posto de empregado na cozinha. Mas é fato que um dono de casa nunca fica sem nada pra fazer e não importa o quanto eu limpasse, uma hora teria que limpar outra vez. Foi quando ouvi a voz de Changkyun conversando com outras pessoas dentro do seu escritório particular.
ㅡ Aquele carinha, ele é bem bonito, Chang. Você sabe? Ele pode ser a sua salvação! Nunca te vi se relacionando com outra pessoa desde Bora. ㅡ Um deles falou, podia estar apenas zoando com o outro, mas meu coração estava acelerado sem motivo.
ㅡ Vão pro inferno com esse assunto, eu hein. ㅡ O empresário rebateu. ㅡ Kiki é apenas meu empregado doméstico. E pra falar a verdade eu estou odiando ele aqui.
ㅡ Você não pode continuar de luto assim e fechado para as felicidades da vida, Chang. Você merece se apaixonar outra vez... Ele é perfeito. ㅡ Outra voz falou também.
ㅡ Eu estava feliz e apaixonado, então Bora sofreu um acidente. Viu?!! Por isso não quero Kiki aqui. Ele me faz pensar muito na Bora. Mas sabem como minha mãe é teimosa. Preciso de um jeito de tirar ele daqui. ㅡ Suspirei, é horrível a sensação de não ser bem-vindo.
ㅡ Okay... dê pra ele uma tarefa impossível, algo que ele não consiga fazer.
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ME SIRVA | MONSTA X
Fanfiction🔞 changki Yoo Kihyun vê sua família entrar em estado de falência depois de várias dívidas e gastos desenfreados e a situação só piora depois que seu pai resolve abandonar a mesma. A ele, a única solução encontrada foi trabalhar como empregado na ca...
