Prosseguir ou não?

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Não dormi na casa dos pais de Nove. Tinha medo de dormir ao lado dela e por um ato covarde, ser revelado meu rosto.

No dia seguinte ela tinha me enviado uma mensagem, feliz pela noite passada.

- Estou muito feliz. Minha mãe te adorou, só achou estranho sua máscara. (08:23)

- Se ela estranhou, imagina seu pai. (08:31)

- Meu pai não tem que falar nada! (08:31)

- Vcs não se dão muito bem né? (08:33)

- Não. Melhor nem tocar nesse assunto.(08:35)

Apesar de mandar algumas mensagens para mudar de assunto, Nove me respondeu depois de 2 horas. Sentia que ela não gostava nem um pouco do pai. Talvez fosse por causa dos ciúmes, até porque nunca se dei bem com meu pai.

A cada noite, pensava na melhor maneira de abordar o assunto delicado. Tinha muito medo de receber uma resposta grossa, ou algo pior do que uma patada.

Na dúvida, não disse nada, marquei um encontro com Pablo em um antigo ginásio onde tinha uma sacada. Ele estranhou o lugar, mas compareceu.

- Mano, não tinha outro lugar pra gente se encontrar não? Aqui é meio estranho para dois homens. - disse ele, me cumprimentando calorosamente.

- Larga a mão de ser machista. - sorri.

- E aí, o que está te afligindo?

Sentei em um banco meio zoado, onde o ferrugem já consumia e então comecei a desabafar.

- Cara, eu não estou conseguindo controlar minha curiosidade. Estou com muito medo de falar um palavra errada para sua irmã e estragar tudo.

- Se controle. Estamos apenas no início e nada pode nos atrapalhar.

- Como vou fazer com que ela se abra para mim?

Pablo andou um pouco e após conhecer o local, ficou de frente comigo.

- Minha irmã vai se abrir no momento certo. Eu vou tentar lembrar de cada momento naquele dia, sei que faz tempo, mas minha memória é bem saudável.

- E enquanto você busca lembranças em sua mente, o que faço?

- Frequente mais a minha casa. Minha irmã precisa de você.

- Mas e seus pais?

- Só frequente. Ela precisa de você.

Antes de ir embora, Pablo se virou, olhando para mim.

- Da próxima vez marque em um lugar menos reservado, ok?

Sorri, lançando um sinal positivo para ele.

Era difícil ter que voltar na casa de Nove, seu pai me encarou como se eu fosse um bosta ao me ver em sua porta, mas permitiu minha entrada, sem dizer se quer "bom dia".

- Meu amor, que surpresa. - disse ela, toda feliz.

- Fazer uma visita sempre é bom, né?

- Sim!

Fomos para o quarto e então sentei em sua cama.

- Seu pai não vai gostar que eu esteja em seu quarto.

- Meu pai não tem que gostar de nada. - disse Nove, me beijando.

Os cabelos dela era lindo. O gosto do batom em sua boca e sua pele quente, deixava meu coração fervilhando.

Ao olhar para a estante do lado de um guarda-roupa, vi uma foto de um garoto.

- Quem é, amor?

Nove olhou para a direção que meus olhos estavam vidrados e então ficou nervosa.

- Meu irmão.

- O Pablo?

Ela demorou um pouco para responder. Agoniada, se levantou, pegando o retrato na mão.

- Esse é Michel. Ele era o caçula da família.

- Não sabia que tinha um irmão caçula. O que aconteceu com ele?

Respirando fundo, demonstrando que doía falar sobre isso, Nove respondeu.

- Ele morreu.

- Oh, amor, me perdoe por tocar nesse assunto. - disse, abraçando ela. - O que aconteceu com ele?

- Meu pai encontrou ele morto.

- Encontrou morto? Como assim?

- Meu irmão desapareceu por alguns dias e então meu pai o encontrou em um matagal.

- Meu Deus. - coloquei as mãos na cabeça. - Que coisa louca, jamais imaginaria isso.

- Até hoje não consigo acreditar.

- Imagino. Deve ter sido muito doloroso para sua família.

- Foi e ainda é.

- Mas ele foi vítima de violência?

- Ele tinha algumas marcas de esganamento no pescoço.

- Meu Deus! Como uma pessoa pode ter coragem de cometer uma maldade dessa?! Talvez seja por isso que seu pai possui esse comportamento autoritário.

- É claro que não! Meu pai é um falso!

Percebendo o nervosismo de Nove ao tocar no nome de seu pai, me desculpei.

- Não precisa se desculpar, só não gosto de falar sobre meu pai.

- Vocês não se dão bem, eu tinha esquecido.

- Esquece, deixa isso pra lá. - disse Nove, voltando o retrato na estante.

Nossa conversa finalizou ali. Beijei ela, assistimos um pouco de série e então voltei para casa. No caminho, a rua estava quase vazia, também já era quase 10 horas da noite.

Faltando alguns metros para chegar em casa, estava prestes a passar por um beco e então senti um peso em minhas costas, me fazendo cair no chão.

Tentei se levantar, mas ao se virar recebi um soco.

Tentando entender tudo o que estava acontecendo, enxerguei dois homens na minha frente. Um deles segurando uma arma.

Pensei ser um assalto, e então entreguei o celular.

- Presta atenção, moleque! Você terá dois dias para terminar seu relacionamento com aquela garota, entendeu?! Apenas dois dias. Se não fizer isso, vai morrer você e ela! Me ouviu? Você e ela!

Sem conseguir responder, recebi mais um soco e então foram embora, me deixando assustado, com a boca sangrando.

Ao se recompor, fiquei de pé, pensando em tudo que tinha ouvido daqueles homens. E agora, o que faria? Terminar tudo com Nove, logo no momento que ela mais precisava? E se eles estivessem falando sério, a vida dela poderia estar em risco.

(TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO AUTOR STEFEN MOONWALKER)

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As mensagens que não tive coragem de te enviar.Where stories live. Discover now