Desci do ônibus e subi até minha cobertura. Esse prédio é tão silencioso que chega a dar desânimo. Os vizinhos vivem trancados, não dão um bom dia sequer. A única coisa que sei sobre eles é que um é formado em medicina, outro em engenharia e tem um advogado também. E eu? Sou só uma adolescente sustentada pelo pai, e pelo visto sempre serei. Girei a maçaneta e lá do outro lado da sala estava Hoseok, acariciando seus cabelos sedosos enquanto falava ao telefone. Capotei no sofá fingindo ignorar sua presença, mas torcendo para que ele percebesse a minha.
— Eu já disse que quero ficar na parte financeira, não tem como mudar isso? — suspirou — Tá bom, Jungkook, eu vou tentar resolver.
E desligou o telefone, com uma cara de preocupação. Ficou parado ali, feito estátua, com a mão na boca. Seu olhar subiu até mim.
— Não vi que havia chegado.
Passei a encarar o teto, com as mãos cruzadas sobre meu abdômen pontiado.
— Era para ter me mandado o endereço, não pode ficar por aí andando com essa ferida recém fechada.
Fechei meus olhos.
— Não vai me ignorar para sempre — sinto o chão estremeçer enquanto ele se aproximava — Onde estava?
Bufei.
— Com o Jimin — respondo da forma mais seca possível.
Minhas formas secas sempre saem molhadas.
— Ah, mesmo? — passo a encará-lo, seus braços estavam cruzados — Então tá.
Levantou-se e seguiu em direção a cozinha. Que eu sou curiosa já não é novidade para ninguém, fui atrás.
— Você vai tentar resolver o quê? — pergunto da entrada, Hoseok estava bebendo um copo d'água.
— Agora você quer falar comigo — afirmou ainda de costas e soltou um riso abafado.
— Eu não quero. É só agora — dou de ombros.
— O que você estava fazendo com ele? — virou-se.
— Coisas. O que há de ser resolvido? — insisto.
J-Hope arregala os olhos e desce a cabeça próximo ao ombro. Faz gestos de negação e murmura palavras baixas que daqui não sou capaz de ouvir. Levanto as sobrancelhas e ele se revolta.
— Não é porque você é filha do Erbet que precisa saber de tudo, entendeu? Isso é coisa minha e não lhe convém.
Simplismente soltou e saiu do recinto, quase esbarrando em mim. Que diabos?!
J-Hope
Recebi uma ligação de Jungkook, avisando que eu estarei em treinamento para novo chefe. Esse garoto está mesmo disposto a puxar meu saco. Ele disse que Erbet pensa em dar um tempo nisso tudo e me deixar no comando. É estranho, eu sei. Quanto mais tento fugir, mais me afundo nesse ramo. O que penso sobre isso é bem simples: eu não quero. Mas querer não é poder, essa é uma das regras básicas dos Moon's. Ser chefe é sinônimo de comandar mortes, ordenar membros a fazerem coisas ruins e ainda viver com a culpa dentro de si. Não é algo que se sonhe, pelo menos não pra mim, mas parece ser para Jungkook. O que eu, um garoto desfocado e que se envolve fácil, teria de útil nisso? As camadas dessa sociedade são tão profundas que de três, só conheço uma, da qual já não me agrado muito. Monitorar, observar câmeras de segurança e passar informações parecia ser fácil. Estou farto. Mas talvez deva aceitar meu destino em pró da minha família. Talvez eu deva parar de me envolver demais sentimentalmente com as pessoas. Talvez eu deva desapegar de Kayla Moon.
Desci o prédio inteiro pelas escadas e entrei no carro. Havia uma mensagem em meu celular dizendo que tinham uma nova missão pra mim. É hora de crescer.
[•••]
— Eu preciso fazer com que você se adapte. Preciso ordenar você a fazer o trabalho sujo — Erbet repetia, sentado em seu "trono".
— Eu não acho que seja uma boa...
— Você precisa — disse firme e autoritário, ao cerrar seus olhos.
Eu sabia o que aquilo significava. Engoli em seco.
— Mas... por quanto tem-tempo?
Ele riu.
— Não muito, garoto — levantou-se e parou em minha frente. — Uma das minhas metas de vida é transformar você em um homem, não nessa mariquinha frouxa que és agora.
Mariquinha frouxa. Tá aí algo que realmente pode me definir.
— Você vai assaltar um banco.
Gelei.
— E-eu não sei fa-fazer isso — gaguejei.
— Então vai aprender! — bateu o pé no chão.
— Sim — murmurei baixo.
— Continuando... não vai ser fácil e você irá correr riscos.
Assenti nervoso com a cabeça.
— Precisa calcular tempo e saber manter a calma — explicava ao fazer gestos com as mãos — Você terá cinco minutos para convencer os funcionários a te darem o necessário, levando em conta que uma viatura da polícia demora cerca de sete minutos para chegar ao local. Entendeu?
— Eu... sim.
— O resto é na prática. Pode levar quem você quiser de ajudante. Aguardo notícias — apontou para a porta, insinuando que eu me retirasse.
Ainda meio incrédulo com a seriedade que Erbet leva os crimes, como se fosse algo legalizado por lei, andei até a porta. Virei-me para o corredor e tomei um susto com o menino Jungkook.
— Eu ouvi tudo, eu ouvi! — exclamou.
— E daí? — pergunto, desanimado.
— Posso ir com você? — seus olhos brilharam — Estaríamos ajudando um ao outro. Preciso subir de cargo e você precisa ser...
Estendi minha mão fazendo-o parar de falar.
— Só se me disser o que estava fazendo no covil dos Park's na noite em que Kayla foi baleada — cruzei os braços.
— Eu curto o perigo, okay?
Franzi o cenho, duvidando do que foi dito.
— Na verdade, eu só queria me divertir — deu de ombros — Posso ir com você?
Suspirei derrotado e assenti com a cabeça, deixando o mais novo alegre para trás.
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The Mission • BTS
FanfictionFilha de um dos piores bandidos da região, Kayla Moon vive a sua vida monótona e sem cor ao lado de seu monitor Hoseok. Até o dia em que Jimin, um ruivo tingido e misterioso, adentra em sua vida e a colore por completo. Dois amores proibidos e um s...
