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E no outro dia… tudo começava de novo.
Correria, pressão, entrega atrasada, mas também sonho, força e orgulho.
Porque eu não tava só abrindo duas lojas. Tava abrindo espaço pra mim mesma, pra recomeçar, pra se reinventar. E Hyurica disse que o povo já estava falando sobre eu te voltado e tá abrindo duas lojas. Layla me contou que a manicure dela disse que falaram pra ela que eu deveria tá abrindo loja com dinheiro de bandido já que tô pela vk, é mole? Povo não sabe nem da metade e fala merda.
Hadassa: Ranço desse trânsito da Brasil, que inferno. - estava indo em madureira comprar umas coisas.
Hyurica: Deixa eu te perguntar que veio na minha mente agora, você chamou o bofe no whatsapp? - olhei de rabo de olho pra ela.
Hadassa: Tô com tempo pra pensar nisso não, hyurica. - ela fez muxoxo.
Eu até salvei o número dele, mas to tão focada essa semana nas lojas, tô resolvendo tantas coisas que nem chamei, talvez eu chame hoje.
Hyurica: Eu até apaguei o número desse bofe, você salvou pelo menos?
Hadassa: Você tá de conversa com o segurança dele né, vagabunda? - ela começou a rir.
Hyurica: Viaja não, mana. - dei nem confiança pra essa mona mais.
Hadassa: E qual foi desse show aí na NH do João Gomes, Yan e oruam?
Hyurica: Viu lá no grupo? Bora pô, já estamos com camarote.
Hadassa: Vou ver, gosto do João Gomes. Fabiana até me mandou mensagem falando pra eu ir mais cedo no dia, almoçar lá e ver meu afilhado também né.
Hyurica: Bora irmã, sair um pouco de casa. Jogar a beleza pra pista, deixa os machos delas loucos e elas se mordendo
Hadassa: Ta repreendido, louca. - essa minha irmã vale nadaaaa
Hyurica: Aí vamos ali pra eu ver uns vestidinhos - já estávamos em madureira.
Hadassa: pelo amor de Deus, foco! Eu tenho que achar as coisas pra loja.
Mas não teve jeito… acabamos entrando em umas três lojas, experimentando umas roupas, rindo, tirando foto.
Depois, partimos pros fornecedores que já conhecia, pechinchando, carregando sacolas, subindo e descendo ladeira no meio da multidão.
Hyurica: Tu tá ligada que só quem é cria sabe andar aqui sem se perder, né? — falou Hyurica, dando risada.
Hadassa: E sem ser passada pra trás! — completei, ajeitando a bolsa.
Depois de horas de corre, já com o braço doendo de tanta sacola, paramos na famosa barraca de caldo de cana e pastel.
Hyurica: Não tem jeito, tem que ser o clássico. — falou, mordendo o pastel.
Larguei as sacolas no chão, pegou o copão de caldo de cana e, na distração, coloquei o iPhone em cima da bancada.
Ficamos ali, conversando, rindo alto, contando os causos… até que olhei pro relógio:
Hadassa: Ih, vambora, mana! Tá ficando tarde, a gente ainda tem que descarregar isso tudo na loja!
Pegamos as sacolas, saímos no meio da correria… andamos uns cinco minutos quando, de repente, parei, botou a mão na cintura… e gelei:
Hadassa: MEU CELULAR!
Hyurica arregalou o olho:
Hyurica: Como assim?
Hadassa: minha porra… meu iPhone! Deixei lá no pastel!
Nós duas começamos a correr de volta, desviando das pessoas, sacola batendo na perna, o suor escorrendo, o coração disparado.
Chegamos na barraca, ofegantes… e nada.
Hadassa: Moço, cê viu um celular aqui? — perguntei, já com a voz meio embargada.
— Aqui? Ih… sei não, hein… — respondeu o atendente, meio sem graça.
Procuramos, perguntamos pra todo mundo, olhamos no chão, embaixo da barraca… mas já era.
Sumiu.
Fiquei parada um segundo, olhando pro vazio, respirando fundo, segurando o choro:
Hadassa: Caralho… perdi meu iPhone…
Hyurica colocou a mão no meu ombro
Hyurica: Mana… tu vai recuperar. Fica tranquila. Bora pra casa, tu tem mais coisa pra resolver…
E mesmo com o coração apertado, enxuguei o suor da testa, peguei as sacolas de novo, respirei fundo e soltei:
Hadassa: Vambora… celular eu compro outro. Agora, essas lojas… eu não abro mão.
E seguimos de volta pro carro, no mesmo corre de sempre, com mais um perrengue na conta, mas sem perder a marra, nem a força.
Porque quem é cria sabe: perder coisa faz parte… mas perder o foco, jamais.

✨Hadassa✨Donde viven las historias. Descúbrelo ahora