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Henrique

"Favela não dá brecha, parceiro. Mas eu dei. E paguei caro."
A operação rolou de madrugada. Ninguém esperava. Nem os ‘cabeça’ lá de cima sabiam e nem o x9 deu a planta. Tudo certinho, rotina nossa de cada noite. Carregamento arregado base tranquila, soldado no ponto. E do nada... helicóptero no céu, luz rasgando a laje, sirene, rojão nem teve tempo de subir.
Eu corri. Claro que eu corri. Tinha que correr. Não vou dar bobeira e nem pensar duas vezes. E na favela, parceiro... cabeça longe é corpo no chão.
Tomei o tiro nas costas, de raspão. Mas caiu feio. Corpo bateu seco no chão da escadaria da 14. Escorreguei no sangue quente. Meus próprios parceiros me puxaram. Achei que ia apagar ali. Ouvia só grito, rajada, helicóptero girando no céu.
Mas Deus…
Deus não deixou.
Minha tropa foi pela mata, céu ainda tava escuro. Eu mandava meus seguranças avisar pelo rádio pra não deixar arrear não, é pra aplicar pra cima. Chefe estava fora, é menos um bagulho pra bater cabeça.
Henrique: Caralho.... Vou aguentar não... Ta pegando fogo, tô ficando fraco. - minha visão já estava ficando turva, boca ficando seca.
Kaio: aguenta aí, mano.- jogou meu braço por cima do pescoço dele. Braço direito na minha cintura e o esquerdo segurando a AK.
_ coe patrão, tamo na atividade, falta pouco pô. Fraqueja não, nós tá junto pô. - todos começaram a falar ao mesmo tempo. Minha tropa só tem sagaz no bagulho.
Henrique: manda tacarem fogo nos carros roubados, em pneu, o que tiver... - o sol já saia e ainda dava pra se ouvir os tiros comendo, frequência do rádio não parava. Depois de um tempo saímos em uma rua de Bangu, já estávamos na pista.
Henrique: Enquadra, enquadra. - geral apontou o fuzil. Motorista ia saindo do carro, mas mandei ele ficar. Só sei que entrei por trás.
_ Sou Uber, amigão. Tenho família, por favor faz nada comigo não.
Kaio: Amigo, se tu adiantar nosso lado nada vai acontecer contigo e tu vai voltar pra tua família. Agora me dá teu celular e imbica logo com essa porra e segue pra maré, Nova Holanda.
Só sei que veio eu e mais três atrás e um no porta mala.
Henrique: Vai entrando em contato com os manos da NH. - pedi pro Kaio. falava com dificuldade e sentindo muita dor. - Avisa minha vó e a Viviane que tô bem, perdi a porra do meu celular, avisa que tô indo pra NH.
Chegamos na NH já quase uma hora depois. A favela tava quieta, mas os olheiros já sabiam da treta. Abriram passagem rápida até a entrada da clínica clandestina, num sobrado de frente pra quadra, onde funcionava uma lan house de fachada.

✨Hadassa✨Where stories live. Discover now