Acordamos por volta de duas horas da tarde, minha ppk já tá ardida e inchada, não aguenta mais ser macetada não rss. Ainda bem que eu não ando sem meus documentos, carregador e calcinha dentro da bolsa. Henrique arrumou uma loja feminina aqui da favela e mandou eu escolher algumas roupas pra eu usar hoje. Escolhi, ele entrou em contato com alguém e minutos depois o entregador veio entregar as roupas que escolhi. Depois de eu ter tomado um belo banho, ter me arrumado, vinhemos dar uma volta na Rocinha e vocês acreditam que consegui resolver sobre meu chip aqui? Aqui até loja da claro tem. Rapidinho consegui um chip novo, porém outro número, mas tá bom. Aqui é o mundoooo! Muito cheio, movimentação pra lá e pra cá a todo vapor, tem engarrafamento e tudo aqui. Lojas de todos os tipos, pessoas de todos os tipos, eu estava encantada, parecia até turista kkk. Henrique estacionou num dos pontos mais altos da Rocinha, onde ficava o restaurante “Alto do Céu” — nome simples, mas conhecido entre quem valorizava boa comida, bom atendimento e uma das vistas mais bonitas do Rio. O restaurante era suspenso, construído com madeira e vidro, cercado por plantas e com painéis que deixavam a brisa circular livre. O contraste era bruto: a favela viva lá embaixo e, dali, o mar de São Conrado se misturando com o céu. Eu ameeeei! Ainda bem que eu estava bem arrumadinha, pois o povo aqui estavam bem arrumados também. Assim que eu e Henrique descemos da moto, os olhares fixaram na gente. Talvez seja porque o Henrique está com um certo "volume" na cintura e também dois seguranças dele ficaram no outro lado da calçada. Cheguei até perguntar pela minha irmã e o amigo dele, disse ele que só vão sair da "toca" mais tarde, estão mortos. Ele envolveu seu braço pela minha cintura e fomos entrando. Ele escolheu ficar sentado na parte de dentro e por mim tudo bem. Não sentou na minha frente e sim ao meu lado. Pedimos chopp e vinheram gelados. Pedi peixe na brasa, moqueca, farofa crocante, arroz soltinho e salada de manga com rúcula. Ele topou, então bem. Íamos conversando entre as garfadas... A conversa fluía super bem, falávamos sobre várias coisas.... Sobre nossos corres, familiares, amigos íntimos, coisas de passado, no dia que ele me viu depois de anossss e nem lembrava dele. Henrique: Aqui... - virou o celular e era foto dele, um menino e uma senhora. Hadassa: Seu filho? Sua mãe? - reparei que o garotinho tinha um cordão de autista pendurado no pescoço. Henrique: É... Meu filho. Ele é autista. Essa é minha vó, me criou com a minha tia. Minha mãe foi morta por feminicidio. - eu estava boquiaberta com essas informações. Hadassa: Nossa.... Eu não sei o que dizer, sinceramente. Henrique: Tá de boa, faz muitos anos e também não é assunto pra ser conversado agora. - assenti com a cabeça e dei um gole da minha cerveja. Hadassa: E você e a mãe dele? Qual é o nome dele? Ele é lindo! - e realmente era uma graça, lembrava um pouco o pai. Henrique: estamos separados. Hadassa: Muito tempo? - ele ficou me olhando por um tempo e depois balançou a cabeça em negativo. Henrique: Um mês e pouco, por aí... - agora quem ficou muda foi eu.
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